Não faça isso




Já faz tanto tempo que nos vimos pela última vez, quando nos despedimos com bom dia e selinho... Não venha agora remexer tudo com um clique.
Eu me lembro perfeitamente do seu olhar doce, da nossa conversa fácil, leve e agradável. Da sua voz baixa e suave, dos seus beijos... Não faça isso comigo, menino. Não traga o furacão todo de volta.
Naquela época tudo que eu queria era ficar contigo, te ver todos os dias, brincar com seu cachorro, ver filmes ao teu lado, qualquer coisa desse tipo. Mas foi outro desencontro desses que acontecem em série na vida da gente, contra os quais não há absolutamente nada que se possa fazer.
Você dizia que eu era sua mulherzinha, lembra? E não soava depreciativo, nem vulgar. Ao contrário, eu sentia mesmo que havia uma conexão especial entre a gente. Me sentia realmente sua quando ouvia isso.
Quando eu desisti de você, depois do seu aniversário, prometi pra mim mesma que nunca mais falaria contigo, nunca mais me deixaria envolver assim tão ridiculamente. Eu estava com raiva de você e de mim.
Mas aí alguns meses se passaram, eu ainda pensava em nós dois de vez em quando. Uma amiga me chamou pra irmos a uma cartomante - o tipo de coisa boba que nós mulheres gostamos de fazer - e eu fui. Ela te descreveu, menino. Disse o quanto você estava machucado antes, e o quanto daria certo se ficássemos juntos. Leu nas cartas que você é um cara maneiro e que valia a pena dar uma chance.
É claro que isso ficou martelando na minha cabeça dia e noite, né?! Por mais que eu soubesse que não devia pautar minhas decisões pelo que diz uma cartomante sexagenária, não pude evitar o impulso de te procurar.
Então lá fui eu, puxar papo, te desejar um feliz natal, saber de você. Conversamos um pouco sobre tudo que tinha acontecido, sobre o dito pelo não dito e o tal do desencontro. Você propôs que nos encontrássemos e eu relutei, mas acabei concordando. Afinal, tínhamos um filme pra ver juntos, desde o primeiro encontro. Nós nos devíamos isso. Ainda bem que não chegou a acontecer.
Porque eu descobri o que você omitiu nessa conversa, anjo. A sua namorada.
Pela segunda vez me decepcionei contigo, pela segunda vez desisti de nós dois só que aí resolvi cortar os vínculos. Te excluí das minhas redes sociais, apaguei seu telefone... Aquilo tudo que a gente faz quando tenta esquecer alguém. Pensei que assim, sem contato, ficaria mais fácil não pensar e me afastar de você.


Por isso, menino, não faça isso. Não se manifeste, ainda que virtualmente, porque você sabe que alguns vulcões adormecidos podem voltar à ativa a qualquer momento, por qualquer razão. E quem vai sair queimada nessa história de novo sou eu.
Não faça isso, a menos que...
Não. Apenas não faça.

Comentários

  1. Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo, mas é muito bom saber, que tu se inspira junto comigo.

    Demais, gosto das suas palavras.

    Um beijo,

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    1. Que bom, querido.
      Tu é parceiraço!
      Beijão

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