Love Time (Vai saber...)

O futuro do país tá sendo decidido agora. Nervosa e com o coração na boca, eu oscilo entre o medo do Aecin ganhar e toda essa loucura aqui dentro. Tá tão puxado que nem me lembrei de comer desde aquelas batatas fritas com cream cheese no café da manhã... E a sensação de que eu deveria estar escrevendo isso no meu diário manuscrito persiste, mas já era: comecei e vou até o final.
Te vi no dia que em que desisti dessa vida escrota de sites de relacionamentos. Eu tinha sido vencida pelo cansaço e babaquice das mensagens produzidas em série, todos querendo saber o que eu gosto de fazer. Você chegou justamente ali, no dia do "chega", como aquele retardatário que consegue dar um passo para dentro do vagão no instante em que a última fresta da porta está se fechando. Atrasado, como é de seu costume.
Quase desisti de você antes mesmo de a gente se ver... Sim, levo a sério demais esse negócio de astrologia e leonino pra mim é sina, é praticamente castigo. Mas você insistiu, persistiu, riu e me convenceu daquele jeito de ir contornando tudo, completando minhas frases e compartilhando meu amor pelas músicas do Chico.
 Esse prólogo todo é pra chegar naquela quarta-feira em que fiquei uma hora e meia te esperando, sentada em mesa de bar. A espera valeu a pena assim que nos abraçamos e senti o seu cheiro...
Mal sabia eu que por conta de uma mania cretina que eu tenho de guardar tudo, o momento mais constrangedor da noite ficaria por minha conta. A sorte é que você nem ligou pra minha caixinha de fósforos do Love Time, só deu muita risada quando a moça me perguntou onde eu tinha comprado. Nem tudo estava perdido. E aí a gente se deu bem no papo, no beijo e no abraço... Coisa leve, natural, como se estivéssemos no décimo sexto encontro, concordando politicamente e discordando no futebol. Aproximamos as cadeiras e fechamos negócio.
De lá pra cá, nem cinco dias se passaram ainda e tá tudo acontecendo na velocidade da luz, ao mesmo tempo que deliciosamente devagar. É um paradoxo, eu sei, mas é que eu sou paradoxal, vai se acostumando. De fogos de artifício a tiros disparados na madrugada, vivemos uns 2 meses numa noite que pode ao mesmo tempo significar tudo e nada, vai saber.
Olha só, eu não sei quem é você ainda e já tô quase tirando o meu pé de onde ele devia ficar por mais um tempo, lá atrás. Tudo que vivi nesses 30 anos faz soar um alarme insuportável do "vai com calma", que conheço muito bem e ignorei tantas vezes, mas detesto, porque tira todo o encantamento da situação.
No fim das contas, meu medo da vitória do PSDB era infundado, pois acabo de saber que ganhamos, olha aí. Vai saber...


Comentários

Postagens mais visitadas